Topo
21 de November de 2017
Professores de educação física darão aulas de biologia e ciências no Paraná

Professores de educação física darão aulas de biologia e ciências no Paraná

Duas professoras de educação física da rede estadual de ensino de Cianorte, no noroeste do Paraná, receberam disciplinas diferentes da sua área de atuação para o ano letivo de 2017, que inicia na próxima quarta-feira (15). Uma delas vai ministrar ciências para o ensino fundamental, e a outravai dar aulas de biologia para o ensino médio. As duas concordam que as áreas têm relação com a sua formação, mas afirmam que o conhecimento que adquiriram na graduação não abrange todo o conteúdo das disciplinas.


Rachel Lopes Pedro, de 34 anos, é formada em educação física e atua como professora da disciplina na rede estadual de ensino há cinco anos. Com a distribuição de aulas realizada neste ano, ela vai assumir cinco aulas de educação física e dez de ciências, no ensino fundamental, que vai do 6º ao 9º ano.


Ela explicou que, em 2016, lecionou 14 aulas de educação física e tinha outras sete horas para realização de atividades fora da sala de aula. Já para este ano, vai ministrar cinco aulas de educação física, no período da noite para alunos do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos CEEBJA, e dez de ciências, no período da manhã, para alunos do Colégio Estadual Dom Bosco. Serão cinco horas para atividades fora de sala de aula, duas a menos que em 2016.

O fato de assumir a disciplina de ciências deixa a professora preocupada. “Eu aprendi anatomia do corpo humano e fisiologia humana [durante a graduação] e [a disciplina de] ciências não é só isso”, argumenta.

Rachel já procurou o Núcleo de Educação de Cianorte, que entrou em contato com a Secretaria Estadual de Educação em Curitiba. No entanto, a resposta foi que uma resolução determina o novo formato de distribuição de aulas.

Ainda de acordo com Rachel, ela não é obrigada a assumir a disciplina de ciências, mas se não completar as 15 aulas, não vai receber o salário integral. Para ela, a redução das atividades do programa “Mais Educação” para o ano de 2017 diminuiu a demanda pelas aulas de educação física.

Aulas de biologia
Já a professora de educação física Jéssica Gimenes Manzani, também concursada da rede estadual há cinco anos, recebeu apenas aulas de biologia, que vai ministrar para alunos do ensino médio. Segundo ela, durante a distribuição das aulas, como não havia mais aulas de educação física, avaliaram o histórico da graduação e verificaram que disciplinas afins poderiam ser ministradas.

“É complicado porque a gente não tem base nenhuma. O que temos na faculdade é a área do corpo humano, e biologia não é só isso”, declarou.

Para a professora, o fato de assumir aulas que não abrangem sua formação também é preocupante. “Como eu vou dar aula para o ensino médio, para quem está se preparando para vestibular e Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], sendo que eu não tenho esse conhecimento”, questiona.

Jéssica, que está em licença maternidade e volta para a sala de aula apenas em maio, ainda tem esperança de que a situação seja normalizada até seu retorno. Mesmo em período de licença, ela explicou que precisou se apresentar para a distribuição de aulas.

O que diz a Secretaria de Educação
A SEED informou, por meio de nota, que professores podem atuar em disciplinas que não sejam na sua formação, mas que possuem afinidades da área de conhecimento.

“Esta situação está prevista na resolução que orienta a distribuição de aulas. Os professores temporários devem ser chamados para distribuição de aulas já nos próximos dias”, diz  a nota.

A Resolução nº 113/2017 da Secretaria de Estado da Educação (SEED) estabelece, em seu artigo 20, que no caso de professores efetivos excedentes, esses deverão assumir "disciplinas,  mediante  análise  do  Histórico  Escolar  de  Curso  de Graduação realizada  pelo  Núcleo  Regional da Educação".

Por telefone, a SEED informou que o “Mais Educação” é um programa do Governo Federal, que o Paraná manteve após fim de repasses. Ainda segundo a secretaria, o programa passou uma reavaliação para 2017 e não entrou na redistribuição de aulas.

Fonte: G1

Tags


Compartilhe

Google+