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18 de November de 2017
Quanto mais velho, mais sono sentimos

Quanto mais velho, mais sono sentimos

A insônia é como um ladrão noturno que assalta milhões de pessoas, principalmente aquelas com mais de 60 anos, roubando-lhes o sono reparador tão necessário. Como lamenta o rei em “Henrique IV”, de Shakespeare: “Ó sono! Ó sono gentil! Ama da natureza, que motivo de espanto em mim descobres, para as pálpebras não me vires cerrar, nem mergulhares meus sentidos no olvido?”.


Suas causas são muitas e variadas e vão aumentando em número e grau com a idade. Mesmo assim, o problema quase sempre é minimizado durante os check-ups de rotina, o que resulta não só na diminuição da qualidade de vida do idoso como pode agravar transtornos físicos e emocionais, incluindo sintomas de perda cognitiva.
Quase todo mundo já teve aquela noite em que o corpo parece se esquecer de dormir um número mínimo de horas, quando dorme. Por mais angustiante que seja quando acontece, nem se compara com os efeitos para quem a insônia – ou a dificuldade de adormecer, se manter adormecido ou acordar cedo demais – é uma ocorrência diária.


Uma pesquisa feita em 1995 pelo Instituto Nacional do Envelhecimento com nove mil pessoas com idades superiores a 65 anos, de três comunidades diferentes, revelou que 28 por cento tinham problemas para adormecer e 42 relataram dificuldades em pegar no sono e continuar dormindo. O número de pessoas atingidas obviamente deve ser muito maior hoje em dia, quando milhões passam as horas anteriores à ida para a cama olhando para telas eletrônicas que interferem nos ritmos biológicos do organismo.


Segundo o Dr. Alon Y. Avidan, diretor da clínica do sono da Faculdade de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia em Los Angeles, insônia é sintoma, e não diagnóstico, e pode ser um sinal de um problema de saúde oculto e quase sempre tratável, mas que, quando persistente, deve ser levado muito a sério.


A chamada insônia passageira dura menos de um mês e pode resultar de um problema temporário no trabalho ou doença grave; a de curto prazo, dura de um a seis meses e pode ser causada por uma crise financeira ou luto – o que já é difícil o suficiente, mas quando supera essa marca, tornando-se crônica, pode causar sérios distúrbios físicos, emocionais e sociais.


Além da sonolência excessiva durante o dia, que por si só já pode ser perigosa, a versão duradoura pode resultar em “perturbação intelectual, prejuízo cognitivo, confusão, retardamento psicomotor e aumento de risco de lesões ou ferimentos”, de acordo com o Dr. Avidan. Compreensivelmente, quase sempre é acompanhada por depressão tanto como causa como resultado da insônia persistente. E, se não for tratada, aumenta as chances de quedas e fraturas, como mostrou um estudo feito na população das casas de repouso.


Há dois tipos de insônia: uma, a chamada primária, é resultado de um problema que ocorre somente ou principalmente durante o sono, como apneia obstrutiva, síndrome das pernas inquietas (que aflige de 15 a 20 por cento dos adultos mais velhos), movimentos periódicos dos membros ou uma tendência a reproduzir os sonhos fisicamente, o que pode ser também os primeiros indícios do mal de Parkinson.


A menos que durma com alguém que note, a pessoa que sofre desse transtorno pode não saber por que tem o sono interrompido. Um diagnóstico preciso geralmente exige um estudo profissional, com o paciente passando de uma a duas noites no laboratório, monitorado por instrumentos que registram a respiração, batimentos cardíacos, pressão sanguínea, movimentos corporais e o tempo gasto nos vários estágios do sono.


O outro tipo de insônia mais comum é o secundário, e pode esconder um problema médico ou psiquiátrico, ser sequela de algum tipo de medicação ou fatores comportamentais como exposição excessiva à cafeína, bebidas alcoólicas, nicotina ou sonecas diurnas ou perturbações ambientais como fadiga de viagem (jet lag) e barulho ou luz excessivos, principalmente o brilho azulado de algum aparelho eletrônico, no quarto.


Entre as muitas doenças que podem causá-la estão a insuficiência cardíaca, o refluxo gastroesofágico, os problemas pulmonares, a artrite, o mal de Alzheimer e a incontinência. O tratamento do problema, quando possível, geralmente diminui seus efeitos.


Qualquer que seja o motivo, ela pode se tornar uma reação aprendida quando a pessoa antecipa a dificuldade em pegar no sono ou voltar a dormir depois de acordar no meio da noite. Pode passar horas virando de um lado para o outro, com medo de não voltar a dormir, com a ansiedade em si atrapalhando e/ou impedindo o processo.


Quanto mais a pessoa se aflige com o problema do sono, pior ele fica. Quando às vezes eu acordo de madrugada e não consigo voltar a dormir, geralmente levanto e faço algo útil, o que pelo menos compensa um pouco as horas sem descanso. Se fico preocupada por temer esquecer alguma coisa importante, anoto em um bloco que deixo ao lado da cama, tendo o cuidado de não acender a luz principal. (Luzes muitos fortes no meio da noite podem estimular o relógio biológico; se você tem que se levantar para ir ao banheiro, acenda sempre uma luz noturna, perto do chão.)


Se a causa da insônia não for médica, pode ser tratada com a prática da chamada “higiene do sono bom”, conceito criado pelo falecido Peter J. Hauri, especialista do sono da Clínica Mayo. Implica em limitar as sonecas a menos de meia hora/dia, de preferência no início da tarde; evitar o uso de estimulantes, sedativos e refeições pesadas, diminuindo a ingestão de líquidos duas ou três horas antes de se deitar; praticar exercícios físicos moderados, de preferência pela manhã ou no início da tarde; aumentar a exposição a luzes fortes durante o dia e minimizá-la durante a noite; criar condições confortáveis de repouso; deitar-se somente quando começar a se sentir sonolento.


Se, ainda assim, não conseguir adormecer em vinte minutos, os especialistas recomendam sair do quarto e fazer alguma coisa relaxante, como ler um livro (impresso, não eletrônico), voltando somente quando começar a ter vontade de dormir.


Muita gente apela para a bebida alcoólica, o que é um erro. Ela pode até estimular a pessoa a adormecer, mas produz um sono fragmentado e interfere na fase REM, como afirma o Dr. Avidan.


Causas


Há dois tipos de insônia, cada um causado por fatores diferentes. Entenda:


Primário
É resultado de um problema que ocorre somente ou principalmente durante o sono, como apneia obstrutiva, síndrome das pernas inquietas (que aflige de 15 a 20% dos adultos mais velhos), movimentos periódicos dos membros ou uma tendência a reproduzir os sonhos fisicamente. Um diagnóstico preciso geralmente exige um estudo profissional, com o paciente passando de uma a duas noites no laboratório, monitorado por instrumentos que registram a respiração, batimentos cardíacos, pressão sanguínea, movimentos corporais e o tempo gasto nos vários estágios do sono.


Secundário
Mais comum, este tipo pode esconder um problema médico ou psiquiátrico, ser sequela de algum tipo de medicação ou ser causado por fatores comportamentais, como excesso de cafeína, bebidas alcoólicas e nicotina, sonecas diurnas ou perturbações ambientais como jet lag, barulho ou luz excessivos — principalmente o brilho azulado de aparelhos eletrônicos. Pode ser causada por insuficiência cardíaca, refluxo gastroesofágico, problemas pulmonares, artrite, mal de Alzheimer e incontinência.


“Higiene do sono bom” pode ajudar se insônia não tiver causa médica


Se a causa da insônia não for médica, pode ser tratada com a prática da chamada “higiene do sono bom”, conceito criado pelo falecido Peter J. Hauri, especialista do sono da Clínica Mayo.
Ela implica em limitar as sonecas a menos de meia hora/dia, de preferência no início da tarde; evitar o uso de estimulantes, sedativos e refeições pesadas, diminuindo a ingestão de líquidos duas ou três horas antes de se deitar; praticar exercícios físicos moderados, de preferência pela manhã ou no início da tarde; aumentar a exposição a luzes fortes durante o dia e minimizá-la durante a noite; criar condições confortáveis de repouso; deitar-se somente quando começar a se sentir sonolento.
Se, ainda assim, não conseguir adormecer em vinte minutos, os especialistas recomendam sair do quarto e fazer alguma coisa relaxante, como ler um livro (impresso, não eletrônico), voltando somente quando começar a ter vontade de dormir.
Muita gente apela para a bebida alcoólica, o que é um erro. Ela pode até estimular a pessoa a adormecer, mas produz um sono fragmentado e interfere na fase REM, como afirma o Dr. Avidan.


Fonte: Gazeta do Povo

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